sábado, 11 de abril de 2009

Alguma coisa sobre insônia...

Insônia é uma coisa triste. E chata também. Enquanto todos dormem, você é o único acordado. Vira de um lado pro outro na cama, levanta, toma água, volta, tenta dormir e... nada! Tudo bem, tudo bem. Esse é o meu momento de criatividade. Minha cabeça está a mil. Eu poderia escrever um livro. Ou qualquer coisa. Escolhi o qualquer coisa. Ok. Esta qualquer coisa tem que ter um tema. Mas qual? Gosto de fotografia. As cores, a iluminação, o ângulo, o foco. Mas não sei o nome de nenhum fotógrafo famoso e não faço idéia dos nomes que eles dão para lentes, posições e estilos.

Tudo bem. Vamos mudar de tema. Música! Adoro escutar música. Acredito que meu gosto musical não é tão básico ou pop (da indústria cultural pop!) quanto o da maior parte das pessoas. Ótimo tema. Escuto muito rock dos anos 60, 70 e 80. Aprecio jazz, blues e até arrisco um pouco na erudita. Só não me pergunte do que morreu aquele saxofonista ou o nome do baterista daquela banda dos anos 80. Eu não sei! Talvez eu chute algo a ver com a cocaína. Se eu não acertar sobre ele, vão pensar que eu confundi com um outro muito parecido que, com certeza, morreu de overdose. Acho que o tema música está fora por enquanto.

Vamos tentar outro. Literatura! Adoro ler! Crônicas, contos, poesias, prosas. Romances não muito, não é meu forte. Dos Best Sellers li alguns que não lembro o nome dos autores, mas de Agatha Christie ou Sidney Sheldon não li nenhum. Auto-ajuda também não me ajuda. Os grandes nomes da literatura brasileira podem ser ótimos. Flertei com Senhora umas três vezes, porém ela não me deixou passar da página 50. Quincas Borba foi mal-educado comigo, também não quis papo. Dom Casmurro, então? Sobre este apresentei até um seminário. Porém como a minha parte era avaliar muito mais sobre o filme e a linguagem apresentada neste, só li o resumo do livro e notas importantes sobre o autor. Vamos mudar novamente.

Cinema. E o Vento Levou é lindo. O figurino da Scarlet, todas as cenas, todos os diálogos. Não lembro o nome do diretor, mas quem se importa? Sei que muita gente, mas eu não. Dos atuais, muita gente cultua Quentin Tarantino. Não gosto do tanto de sangue que é esguichado de qualquer corte dos personagens. Apesar de gostar de um certo exagero, este pra mim é demais. Tem um tal de Buñuel que eu gostei de uns dois filmes dele. Isso me lembra que já li sobre ele ter feito algo em conjunto com Salvador Dali, aquele louco da pintura que eu adoro! Mas que também só sei que além de louco e pervertido, era um pintor surrealista.

Ok. Vamos admitir que eu seja pedante. Sei tudo sobre nada. Ou será que são os outros que sabem tudo sobre nada? Prefiro achar que são os outros. Estou muito feliz e contente com meu vasto conhecimento e gosto pelas artes. Não é porque não sei quando alguém nasceu e morreu que sou indigna de apreciar. Apreciar... sim, esta é a palavra. Eu simplesmente aprecio. Sem distinguir quem, quando ou por que. Claro que quem sabe isso merece até um prêmio, na minha opinião, afinal é muito a ser estudado e são informações importantíssimas. Mas eu... ah! Eu fico apenas com o belo, com o interessante, com o “super legal”! E com a insônia. Esta, que eu conheço muito bem e me visita com freqüência. Pra ela, eu não preciso nomear nada. Ainda bem, se não seria insuportável nossa convivência. Algum dia ela se cansaria de mim, iria embora e diria: “você não sabe de nada!”.

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